
Há exatamente duas semanas o mundo da bola voltou seus olhos para o estádio Camp Nou, na Espanha. Tratava-se do jogo decisivo da segunda semifinal da Liga dos Campeões da Europa. Mais do que isso, talvez a mais brilhante equipe dos últimos anos via sua soberania colocada em xeque por um time disposto a se trancar em seu campo de defesa tendo ao seu lado um 12° elemento, a possibilidade de derrota por até um gol de diferença. Ah, só para constar, falo de dois gigantes do futebol europeu, Barcelona e Internazionale de Milão.
Atônito, o mundo assistia à surpreendente falta de eficiência do poderoso ataque comando por Messi frente à disciplinada retranca engenhosamente erigida por Mourinho. A magnífica defesa do selecionável Júlio César, quando a bola advinda de um chute de Messi já parecia ter fugido ao alcance de seus dedos, teve crucial importância para o andamento da partida. No entanto, uma decisão tomada em meados do segundo tempo parece ter resolvido a questão a favor da equipe nerazurra. O peculiar é que tal atitude não partiu do comando italiano, mas sim do banco catalão.

No momento em que o jogo já estava em seu último quarto e o Barcelona se via na necessidade de se lançar de modo mais agressivo ao ataque, o afortunado Giuseppe Guardiola falhou feio ao mexer no time, segundo minhas concepções. Agora vejamos o motivo... a equipe da Internazionale estava toda postada atrás da intermediária defensiva, o que dificultava em grande medida a movimentação do ataque azul e grená. Aí reside o fator fundamental, as ações rápidas e o refinado toque de bola do Barcelona foram anulados por uma defesa que congestionou a frente da área da Inter. Assim, o Barça girava a bola pela intermedária sem oferecer perigo efetivo algum ao gol defendido por Júlio César. Na tentativa de alterar o jogo de forças, Guardiola acentuou o que estava posto. Além de Yaya Toure, sacou Ibrahimovic, o único que buscava lutar dentro da área contra os determinados zagueiros interistas para colocar em campo dois jovens e velozes jogadores, Bojan Krkic e Jeffrén Suárez, ou seja, a dinâmica continuou, o Barça dominava o jogo, entretanto, distante da meta. Fica a pergunta, será que o melhor a se fazer não seria colocar Thierry Henry? Mais um jogador alto e forte ao lado de Ibrahimovic para aproveitar os perfeitos cruzamentos de Daniel Alves, uma vez que a entrada da área estava impenetrável? Dois homens de área não abririam a trincheira italiana? Ao fim, aquela áurea de desconfiança sobre as reais capacidades de Pepe Guardiola pairou sobre o Camp Nou, ao passo que Mourinho se consolidava definitivamente como um dos melhores técnicos do mundo.
E pra finalizar não com Classe e Categoria, mas com raça e disposição, um salve ao camisa 3 da Seleção. Grande Lúcio. Que Partida! Quanta bravura!
Grande Maico! Aqui é o "Curintia"...hahaha
ResponderExcluirNão sou dos mais apreciadores do futebol europeu, mas, devido à importância da peleja, acompanhei esse jogo.
Concordo com sua análise, e ainda cito um exemplo recente: no jogo de estreia do Brasileirão, domingo passado, entre Corinthians e Atlético/PR, o time rubro-negro teve dois jogadores expulsos ao longo da partida; logo, o jogo ficou muito parecido com essa semi-final comentada... um jogo de "ataque contra defesa".
Jogando apenas com o Ronaldo como homem de área, e precisando reverter um resultado dentro de casa, Mano Menezes não hesitou em colocar Souza no ataque alvi-negro, mas sem sacar Ronaldo.
Com dois jogadores "de peso" (mas "de peso" nesse caso é dito no bom sentido) na área, o caminho para a virada acabou ficando um tanto quanto mais fácil.
Jogos truncados são sempre muito emocionantes, um verdadeiro teste de nervos para os torcedores, e um prato cheio para os apreciadores de um futebol muito mais inteligente do que puramente plástico.
Grande abraço!