segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Hernanes e Xabi Alonso


Ambos dispõem de chutes precisos e potentes, visão de jogo apurada e se posicionam de forma semelhante no meio de campo. Além disso, utilizam-se de um constante e peculiar jogo de braços para equilibrar seus movimentos durante a condução da bola, bem como no momento de lançamentos e finalizações. Ah, falando em finalizações, eles sabem como poucos finalizar com classe e categoria, não? A comparação é coerente?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ninguém quer ser campeão!

"Ninguém quer ser campeão do mundo!", frase dita por Galvão Bueno após incontáveis gols perdidos por Espanha e Holanda na decisão da Copa do Mundo de 2010, pode ser evocada para caracterizar a realidade do Brasileirão. Com 31 rodadas já realizadas, a irregularidade das equipes do topo da tabela dá a tônica do Campeonato Brasileiro, sendo isto corroborado pela constante alternância de líderes, o que anula qualquer fundamento para conjecturas sobre as rodadas finais do certame.

A despeito disso, alguns comportamentos mais gerais dos times líderes podem ser apreendidos.



O Cruzeiro, última equipe a perder a chance de disparar, possui notadamente o melhor elenco
e dava mostras de ter plenas condições de caminhar serenamente rumo ao título. No entanto, o fator "Cuca" parece ter pesado contra e o time celeste já apresenta limitações, não dispondo de tantas alternativas quanto aparentava ter, sendo isso atestado em sua recente derrota no clássico mineiro.

Já o Fluminense, que apesar de todas as idas e vindas conseguiu retomar a ponta, está longe de inspirar confiança ao
seu torcedor. A ausência de Emerson é substancialmente sentida e o time não consegue repetir o desempenho ofensivo do primeiro turno. Muricy Ramalho já testou duas alternativas, uma fortalecendo o meio de campo e deixando Washington isolado no ataque, e a outra com Rodriguinho ao lado do Coração Valente. Nenhuma opção logrou êxito e agora o jovem Tartá aparece como esperança para o ataque tricolor nas últimas rodadas.

Prejudicado recentemente por lesões e convocações à Seleção Brasileira, o ótimo meio de campo do Corinthians deixou de ser decisivo nas últimas rodadas, escancarando as deficiências do ataque alvinegro. Enquanto Jucilei, Elias e Bruno César resolviam, mostrava-se sustentável uma linha de frente formada por Jorge Henrique e Iarley. Quando os desfalques na meia cancha deram as caras, a fonte de gols secou e o Corinthians amargou uma longa série sem vitórias. Porém, a volta de Ronaldo qualifica a equipe do Parque São Jorge para a reta final do Brasileirão.


Apesar da boa campanha, o Internacional está inexplicavelmente com a cabeça no Mundial de Clubes da FIFA. Agora o que resta entender é o motivo de dois jogos em dezembro comprometerem todo um segundo semestre de compromissos.

Santos e Grêmio engrenaram uma sequência de bons resultados que confere aos dois times o status de postulantes ao título. No entanto, os jogos do último fim de semana colocam em xeque o fôlego de ambas as equipes para um efetivo ataque ao cume nas últimas rodadas.

Quanto a Botafogo e Atlético Paranaense, talvez seja melhor deixar a tarefa para o "imponderável" e o "Sobrenatural de Almeida", do imortal Nelson Rodrigues.

E para finalizar com classe e categoria, um salve àquele que esbanjava estes dois atributos. Quem desfilou mais classe e categoria pelos gramados do que Pelé? Vida longa ao Rei, parabéns por seus gloriosos 70 anos!

terça-feira, 11 de maio de 2010

O traiçoeiro dedo do técnico



Há exatamente duas semanas o mundo da bola voltou seus olhos para o estádio Camp Nou, na Espanha. Tratava-se do jogo decisivo da segunda semifinal da Liga dos Campeões da Europa. Mais do que isso, talvez a mais brilhante equipe dos últimos anos via sua soberania colocada em xeque por um time disposto a se trancar em seu campo de defesa tendo ao seu lado um 12° elemento, a possibilidade de derrota por até um gol de diferença. Ah, só para constar, falo de dois gigantes do futebol europeu, Barcelona e Internazionale de Milão.

Atônito, o mundo assistia à surpreendente falta de eficiência do poderoso ataque comando por Messi frente à disciplinada retranca engenhosamente erigida por Mourinho. A magnífica defesa do selecionável Júlio César, quando a bola advinda de um chute de Messi já parecia ter fugido ao alcance de seus dedos, teve crucial importância para o andamento da partida. No entanto, uma decisão tomada em meados do segundo tempo parece ter resolvido a questão a favor da equipe nerazurra. O peculiar é que tal atitude não partiu do comando italiano, mas sim do banco catalão.


No momento em que o jogo já estava em seu último quarto e o Barcelona se via na necessidade de se lançar de modo mais agressivo ao ataque, o afortunado Giuseppe Guardiola falhou feio ao mexer no time, segundo minhas concepções. Agora vejamos o motivo... a equipe da Internazionale estava toda postada atrás da intermediária defensiva, o que dificultava em grande medida a movimentação do ataque azul e grená. Aí reside o fator fundamental, as ações rápidas e o refinado toque de bola do Barcelona foram anulados por uma defesa que congestionou a frente da área da Inter. Assim, o Barça girava a bola pela intermedária sem oferecer perigo efetivo algum ao gol defendido por Júlio César. Na tentativa de alterar o jogo de forças, Guardiola acentuou o que estava posto. Além de Yaya Toure, sacou Ibrahimovic, o único que buscava lutar dentro da área contra os determinados zagueiros interistas para colocar em campo dois jovens e velozes jogadores, Bojan Krkic e Jeffrén Suárez, ou seja, a dinâmica continuou, o Barça dominava o jogo, entretanto, distante da meta. Fica a pergunta, será que o melhor a se fazer não seria colocar Thierry Henry? Mais um jogador alto e forte ao lado de Ibrahimovic para aproveitar os perfeitos cruzamentos de Daniel Alves, uma vez que a entrada da área estava impenetrável? Dois homens de área não abririam a trincheira italiana? Ao fim, aquela áurea de desconfiança sobre as reais capacidades de Pepe Guardiola pairou sobre o Camp Nou, ao passo que Mourinho se consolidava definitivamente como um dos melhores técnicos do mundo.

E pra finalizar não com Classe e Categoria, mas com raça e disposição, um salve ao camisa 3 da Seleção. Grande Lúcio. Que Partida! Quanta bravura!

sábado, 17 de abril de 2010

Nem tanto (Breves notas sobre Messi)

Muito alarido tem sido feito em torno das "prováveis" apresentações de gala do argentino Lionel Messi na próxima Copa do Mundo. O fato é que no início de 2010 ele realmente tem sido o soberano no Planeta Bola, mas o que efetivamente é possível esperar do meia-atacante do Barcelona de 22 anos?

Ele é o detentor do título de melhor jogador do mundo da FIFA, mas vale ressaltar que dentre os três últimos vencedores do prêmio, os quais chegaram a ser em determinado ponto do tempo e do espaço colocados na mesma balança, Messi foi o mais contestado, ou seja, aquele que ganhou de modo menos espetacular e avassalador. Chegou-se a atribuir grande parcela de seu sucesso ao maravilhoso time do Barcelona. Alguns defenderam Xavi como o melhor jogador do planeta em 2009, no entanto, Messi era o camisa 10 da equipe, o que tem maior visibilidade na mídia, o que teoricamente guarda maior proximidade a um gênio, qual seja, Diego Maradona. Daí surge a questão: Messi foi efetivamente o melhor do mundo em 2009 ou se apresentou como o símbolo mais adequado de um dos melhores times dos últimos tempos, tal qual Cannavaro representou a opaca Seleção Italiana de 2006 na festa de fim de ano da FIFA?

Se a posição de Messi de melhor do mundo é passível de contestação, o que o credencia a destaque da Copa do Mundo 2010? Ah, os 39 gols nesse 1° trimestre de 2010. Certo, mas Wayne Rooney, centroavante do Manchester não ficou longe disso, já soma 34 anotados só nesse curto período. Ou seja, se este for o critério adotado, momento iluminado não é, atualmente, privilégio do argentino.

Hummm... falando em momento iluminado antes de Copa do Mundo, bem, as lembranças não são das melhores. É inegável, as grandes sensações antes dos últimos mundiais presentearam helenicamente o mundo com profundas decepções. Recordemos, Ronaldo não foi apenas o melhor do mundo em 1997, era o Fenômeno meses antes do mundial da França. Figo esbanjava categoria pelos gramados europeus antes de rumar para a Ásia em 2002 (ah, também tinha um tal de Zidane comendo a bola nesse período). E por último, um ser de outro planeta que se fantasiava de azul e grená e era identificado pelo número 10 que ostentava em suas costas assombrava seus possíveis adversários na Copa de 2006. Olha, ser de outro planeta, camisa 10, Barcelona.... é, bem, assim... ah, deixa pra lá...

Enfim, trata-se de um exercício muito fácil apontar o maior jogador da temporada como o próximo craque de uma Copa do Mundo. Porém, a evidência contradiz tais triviais previsões. Que Lionel Messi é um baita de um jogador ninguém contesta. Agora afirmar categoricamente que ele será o maior destaque quando os olhos do mundo estiverem voltados para a África do Sul em junho, ah, isso não dá pra engolir. Não é difícil perceber que ele nunca foi tão genial defendendo sua pátria, ademais, a seleção argentina não pode oferecer uma equipe nem próxima à do Barcelona para dar suporte a suas atuações. Ou seja, para ter seu nome eternizado na rica história das Copas, "la pulga" de Rosário precisará ter a seu favor outros fatores além do modo de conduzir a bola que atualmente encanta o mundo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

E Ela nunca perdeu a Majestade...

Sim, trata-se de algo diferente, suas versões genéricas que por aí afora se multiplicam em vários níveis de agregação geográficos nem de longe lembram a exuberância e a tradição que a Ela servem de caracterização. É algo que transborda emoção, que reaviva sentimentos que há muito encontravam-se adormecidos. Desperta o orgulho, evoca a identidade nacional, coloca frente a frente inimigos históricos, oferece a estes uma chance de resolverem suas rusgas, e da melhor forma... a violência não é convidada para o embate, o único golpeado é um tal artefato esférico de couro sintético.

Ela confere o espaço para gênios serem eternizados, cria mitos, desenha confrontos épicos, presenteia as gerações futuras com a lembrança de jogadas que tornam ainda mais complexo o esforço de distinção entre futebol e arte. É fato, muitos craques já desfilaram sua categoria pelo futebol, entretanto, apenas aqueles que isto bem fizeram nos palcos dEla mereceram a glória de entrar para a história do esporte.

Outro ponto também deve ser ressaltado. No futebol, torneios curtos normalmente são aqueles nos quais equipes sem expressão costumam aprontar frente às grandes. Era de se esperar que essa fosse a dinâmica em um campeonato em que o campeão joga apenas sete vezes. No entanto, em 18 edições somente 7 equipes alcançaram o ápice. E não estamos falando de quaisquer times, trata-se de gigantes, quais sejam, Uruguai, Itália, Alemanha, Brasil, Inglaterra, Argentina e França. Ou seja, a tradição ainda impera, flâmulas e uniformes ainda impõem respeito, podem efetivamente vencer batalhas.

Enfim, quando dEla falamos, nos referimos a algo peculiar, estamos mexendo com a menina dos olhos do Deus Futebol. É um grande ritual de congraçamento universal que ocorre periodicamente. Sim, é Ela, é a Copa do Mundo...